Mesmo sendo um dos cursos mais concorridos do Brasil, a graduação em medicina tem exposto um contraste que chama a atenção de estudantes, famílias e especialistas em educação. Um levantamento recente aponta que faculdades com desempenho insatisfatório nas avaliações do Ministério da Educação (MEC) continuam cobrando mensalidades que chegam a R$ 17 mil, levantando questionamentos sobre a relação entre preço e qualidade do ensino.
Avaliação do MEC revela desempenho abaixo do esperado
Os dados são provenientes do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), criado pelo MEC e aplicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O exame tem como objetivo verificar se os estudantes de medicina estão adquirindo as competências mínimas exigidas para o exercício profissional, avaliando tanto o conhecimento técnico quanto a formação prática.
De acordo com os resultados divulgados, 87 cursos de medicina da rede privada ficaram abaixo do nível considerado satisfatório, entre mais de 350 graduações analisadas em todo o país. Mesmo diante desse cenário, diversas instituições mantêm mensalidades elevadas.
Mensalidades altas contrastam com notas baixas
Um dos casos citados é o curso de medicina da Universidade Brasil, localizada em Fernandópolis, no interior de São Paulo. A instituição registrou apenas 35,4% de proficiência no Enamed. Ainda assim, a mensalidade do curso pode chegar a R$ 17,3 mil nos períodos finais da graduação.
Outro exemplo é a Fametro, em Manaus, que também apresentou desempenho abaixo do esperado na avaliação. Apesar disso, os valores cobrados ultrapassam os R$ 10 mil mensais, podendo chegar a mais de R$ 20 mil na primeira parcela, a depender do semestre cursado.
Cursos no limite mínimo também cobram valores elevados
Além das instituições com notas mais baixas, há faculdades que atingiram apenas o nível mínimo exigido pelo MEC e seguem praticando mensalidades consideradas altas. É o caso de unidades do grupo Afya, no Rio de Janeiro, que obtiveram nota 2 na avaliação e cobram cerca de R$ 15,8 mil por mês.
Embora essas instituições não estejam entre as piores classificadas, o desempenho ainda é considerado insatisfatório pelos critérios do MEC, reforçando o debate sobre o custo-benefício da formação médica no Brasil.
Debate sobre qualidade e acesso à medicina
Os dados reacendem a discussão sobre a expansão de cursos de medicina no país, a fiscalização da qualidade do ensino superior e o impacto financeiro para estudantes e famílias. Especialistas alertam que mensalidades elevadas não garantem, necessariamente, uma formação de excelência, o que pode ter reflexos diretos na qualificação dos futuros profissionais de saúde.
Fonte: Jornal de Brasília







