Após iniciar o pregão em alta e superar a marca histórica dos 186 mil pontos, o Ibovespa passou a operar em queda nesta quinta-feira (29). O movimento refletiu um conjunto de fatores domésticos e externos, mesmo após a sinalização do Banco Central de que pode iniciar cortes de juros a partir de março.
Mercado reage ao cenário externo negativo
No início da tarde, o principal índice da bolsa brasileira acompanhava o mau humor dos mercados internacionais. As bolsas de Nova York recuavam enquanto investidores avaliavam balanços de grandes empresas de tecnologia e a decisão do Federal Reserve.
Na véspera, o banco central dos Estados Unidos manteve os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. Ainda assim, o tom cauteloso da autoridade monetária reforçou a postura defensiva dos investidores globais.
Ibovespa perde força após máxima histórica
Às 12h15, o Ibovespa recuava 0,38%, aos 183.998 pontos. Na mínima do dia, o índice chegou a 183.343 pontos. No melhor momento da sessão, atingiu 186.449 pontos. O volume financeiro negociado somava R$ 10,23 bilhões.
Apesar do avanço inicial, o índice perdeu fôlego ao longo da manhã. A realização de lucros e o ambiente externo desfavorável pesaram sobre os ativos domésticos.
Decisão do Copom gera cautela entre investidores
Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano. A decisão foi unânime. No comunicado, o Banco Central indicou que pode iniciar um ciclo de cortes em março, caso o cenário esperado se confirme.
Mesmo assim, o BC reforçou que manterá uma política monetária restritiva para garantir a convergência da inflação à meta de 3%.
Segundo Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do Grupo Axia Investing, a sinalização exige cautela. Para ele, o mercado não deve descartar a possibilidade de um corte pontual ou até mesmo da manutenção dos juros. Isso dependerá dos próximos dados econômicos.
Inflação e política aumentam a tensão no cenário doméstico
Entre os dados que chamaram atenção nesta quinta-feira está o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M). O indicador subiu 0,41% em janeiro de 2026, após ter recuado no mês anterior. A alta foi puxada tanto pelos preços ao produtor quanto ao consumidor.
Além disso, declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também influenciaram o mercado. Em entrevista, ele afirmou que “com certeza” deixará o governo em fevereiro, embora sem definir data. A fala aumentou a percepção de incerteza política no curto prazo.
Petrobras e Vale ajudam a conter perdas
Entre os destaques positivos do pregão, ações ligadas a commodities ajudaram a limitar as perdas do índice.
- Petrobras PN (PETR4) subia 2,84%, acompanhando a forte alta do petróleo no exterior. A estatal informou que suas reservas provadas fecharam 2025 em 12,1 bilhões de barris de óleo equivalente.
- Vale ON (VALE3) avançava 2,45%, em linha com a valorização do minério de ferro na China.
- Brava ON (BRAV3) e PRIO ON (PRIO3) também figuravam entre as maiores altas, impulsionadas pelo petróleo.
Bancos pressionam o índice
Por outro lado, o setor bancário operava majoritariamente em queda, pressionando o Ibovespa.
- Banco do Brasil ON (BBAS3) subia 0,59%
- Bradesco PN (BBDC4) caía 1,34%
- Itaú Unibanco PN (ITUB4) recuava 0,76%
- Santander Brasil UNIT (SANB11) perdia 1,31%
- BTG Pactual UNIT (BPAC11) caía 2,15%
Mercado segue atento aos próximos sinais
O desempenho do Ibovespa ao longo do dia mostra que, apesar do otimismo inicial com o Copom, o mercado permanece sensível a fatores externos, dados de inflação e incertezas políticas. A combinação desses elementos explica a virada para o campo negativo após a máxima histórica.







